sim, adeus

caronte -- gustave doré
ah Χάρων!
tua barca é de tristeza e tédio
eu,
nela
sou quase teu remédio
desliza no meu ombro,
do teu barco de engano
que eu,
serei teu ladrão,
como aqueles
de antes
favorito de horas hediondas,
Χάρων de hálito juvenil,
da-me pressa homem,
da-me logo
antes,
que me precipite em mim
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e sua forma:
pelo nome
eco que diz
e
vai soooooooando
como um soco num rinoceronte.
e cala.
antónia,
tuas flores desta estação
viçosas,
eriça os poros as veias os
recados de amor
os retratos do
eco
em norma.
em soco.
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para juan salazar
Do céu aberto,
a boca o ânus, púbis:
vem o cheiro
que o hálito disfarça,
que palavra disfarça
qndo invento ser sensual.Fundo, fundo:
amolece.Lá, onde meu sexo desce.
Onde meu gozo desce,
e sobe, e entra-saí:
depois de escovadas
nos dentes,
depois de lembrar o rapaz.
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abril,
despedaço-me sem kadaré
pontes que se ligam com
outro lado,
arcos da ponte,
ao lado:
nozes & afagos,
perfume?
1 Rapaz que não esqueço:
[ fios a fenecer,
fêmea que começa a envelhecer]
e tem folha,
ora:
[acordar cedo
agora]
rasgo o recado,
que
acaba o mês dos fracassos.
só aos ratos,
aos trapos,
aos farrapos:
sim, é Abril.
sem Amor ,
diz a porta que tranca a casa
:
abriu, abril.
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revisitado algumas vezes. geminiano é indecisão.
§§
Créditos da Foto:
Título: Romã
Autor: Rodrigo Dangelo
http://br.olhares.com/roma_foto435254.html
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e o que fazer desse blog? sempre me afligiu o 1º post tal saramago com a criação das 1ªs páginas de seus romances... acho que farei o comum aos outros tantos blogs que tenho. poesia poesia, ora. no entanto, essa falta de originalidade me faz tomar tal drástica atitude, é o jargão: problemas estremados, medidas extremas, ou o que o valha. manter a taxa, em respeito aos leitores, pela falta mesmo do que lhes interesse no belo que aquele post que me inquietava na 1ª linha evocava.
segue poema:
Livro IV -- Eneida
Já traspassada, em veias cria a chaga,
E se fina a rainha em cego fogo.
O alto valor do herói, sua alta origem
Revolve; estampou n’alma o gesto e as falas;
Do cuidado não dorme, não sossega.
5
A alva espanca do pólo a noite lenta,
Lustrando o mundo a lâmpada febéia;
Louca à irmã confidente então se explica:
“Suspensa que visões, Ana, me aterram?
Que hóspede novo aporta às nossas plagas?
10
Quão gentil parecer! que ações! que esforço!
Creio, nem creio em vão, provém dos deuses.
Temor vileza argúi. Dos fados jogo,
Ai! que exaustas batalhas decantava!
Se em grilhões nupciais não mais prender-me
15
Fixo não fosse em mim, dês que traiu-me
Com morte o amor falaz; ao toro e fachas
Tédio se não tivesse, eu talvez, Ana,
A esta só culpa sucumbir pudera.
Depois que o meu Siqueu me foi roubado,
20
M ão fraterna os penates cruentando,
Este único abalou-me, eu to confesso,
E a vontade impeliu-me titubante:
101
Sinto os vestígios da primeira chama.
M as engula-me o abismo, antes me arroje
25
Do Onipotente um raio às sombras fundas,
Pálidas sombras do enoitado inferno,
Que eu te viole, ó Pudor, e as leis te infrinja:
Quem a si conjuntou-me e a flor colheu-me,
Consigo minha fé sepulto guarde.”
30
Cala, e em seu seio as lágrimas borbulham,
E Ana: “Ó mais do que a vida irmã dileta,
M urcharás teu verdor, viúva e triste,
Sem de Vênus gozar, sem doces filhos?
Crês disto a campa cure e a cinza e os manes?
35
Bem: magoada enjeitaste esposos tírios,
E há pouco Iarbas e outros que em triunfos
África nutre: pois também repugnas
Ao grato amor? Nem onde estás refletes?
Cá te cerca a pugnaz Getúlia invicta,
40
E a Sirte inóspita e Numídia infrene;
Lá por sequiosa a região deserta,
E à larga soltos os Barceus furentes.
Das guerras que direi que em Tiro engrossam?
Das ameaças do irmão? Divino auspício,
45
M ercê de Juno, esta arribada julgo
Das quilhas de Ílion. Como a cidade
Verás crescer? com tal consórcio, quantos
Reinos pular? A que auge irá das armas
Teucras a glória púnica ajudada?
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Vírgilio
Trad.: Manoel Odorico Mendes
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